Desenrolo
É devagar que as coisas nascem, e é lentamente que elas nos deixam. E quando andamos devagar, conseguimos enxergar os episódios todos, de ângulos divinos. Quando o momento é esticado, é que cabemos dentro dele. E é devagar e docilmente que digo, somos nós o nosso tempo. E devagar com ele, nos esvaímos. Devagar eu divago sobre a vida. E sem pressa eu respiro, vagarosamente eu amo, pausadamente eu canto, sem pressa, me encontro. No ritmo dos ventos, dos rios, das eras. Eu vou lentamente para não me cansar, e para dar tempo de ajuizar os sentidos.
E devagar eu vivo, como se o agora fosse o sempre. |
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