Hoje estive em Taguatinga
embora não sejam de lá
gostei da gente que está.
levando suas enormes sacolas
falando alto pelas esquinas.
eu gosto.
é uma cidade sem árvores,
sem pássaros.
recheada de carros
buzinas, fumaças.
não entendi o trânsito,
tampouco os letreiros.
circundados de fios elétricos,
emaranhados dizeres.
era o alvoroço mais turvo,
comigo de nada combinava,
e ainda assim,
me senti em casa.
e andava sorrindo,
gostando de tudo.
no carro,
a pilha de panfletos crescia.
a cada semáforo,
caquis, morangos, panfletos.
panfletos, caquis e panfletos.
alguns cruzamentos eu não codifiquei,
não sabia se ia ou vinha.
se sairiam dali
ou se era a minha entrada.
então eu seguia em frente,
e como um turista padrão,
se eu não sabia, seguia o fluxo.
e findava quase que noutro país.
as ruas, sem retorno.
os retornos, sem placa.
motoristas cansados,
inventando retornos.
e eu reto,
rumo ao fim da rua.
rumo ao fim do mundo.
cidade cinza, laranja
de semáforos e pardais
telhas de zinco e calçadas
limpas a vassouradas
com água e sabão em pó
eu gosto.
andei pelas calçadas.
a cada loja uma nova altura.
conforme o gosto do pedreiro.
calçadas rasteiras, altas, largas e ausentes.
e o caminho se torna um novo esporte.
um safari nas calçadas.
todas dando o máximo de si.
para que no mínimo desconserto
você tropece.
e cheio de sacolas,
o barulho do samba.
apresenta a todos,
o espetáculo do minuto,
desmascarando qualquer entruso.
e escorados nas portas e janelas,
olham-se.
risos cinzas e laranjados,
sem recalque festejam.
Esse cara não é daqui.. | | | | | | |  |