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14.6.09
Pequena sensação.

Mais dia, menos dia a vida se encarregará de te entregar em mãos uma paz inesperada. E quando isso acontecer não se pergunte o que fazer com ela. Apenas se permita perceber que qualquer momento é digno de lembrança, e qualquer instante merece uma boa comemoração. É impossível se arrepender dos momentos vividos com intensidade. E é muito improvável que ao fim do dia você sinta aquela sensação chata de que o dia passou em branco e não valeu a pena.

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24.5.09
As verdades só existem quando acreditamos nelas.
Então que tal inventar algumas?

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20.5.09
Sobrevida

O amor virou cinema.
Até o preço da pipoca não dá mais.

Nossas fachadas são de ouro e prata.
E as nossas querências. Não tem fim.

Os nossos carros vão nos enlatando.
E pouco a pouco atravancando a via.

E eu que achava, que tudo estava.
Um pouco além do que havia em mim.

As nossas casas, nossas fumaças
Os nossos lixos, e fui ficando assim.
Um pouco triste,
Um bocado vazio,
Um tanto sombrio,
Bastante sincero, canino e mortal.

As nossas máfias. Bonitas pátrias.
Nossas comidas são bem embaladas

Os nossos ócios, nossos divórcios.
Nossos consórcios e mendicâncias.

Quem dera eu ter a certeza de que vivi em paz.
Porque enquanto pude, eu apenas sobrevivia.

Na sobrevida que inventamos para nós.


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19.5.09

Só produzimos o verde se mais tarde virar dinheiro.

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4.5.09
As novas do dia

Hoje eu acordei jardineiro.
Misturei a terra como massa de bolo.
Plantei a muda num vaso maior.
Era o fim do aperto das raízes aflitas.

Hoje eu acordei fotógrafo,
Bem a fim de ver os ângulos.
Dos vários ângulos eu vi a mim.
E de mim se fizeram as paisagens.

Hoje eu acordei pintor.
E misturei cores pra alcançar outros tons.
E tudo que era cinza, preto ou branco,
Virou alguma paz mais viva.

Hoje eu acordei diretor
E critiquei conscientemente
As cenas do filme que vi
E acabei não entendendo nada.

Hoje eu acordei atleta
E corri mesmo sem pressa
Pra chegar mais cedo e respirar acelerado
Ah que dor é essa..

abaixo da costela.

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26.4.09
Magia Branca

Na escada de metal. Gesso em pasta numa mão, na outra a espátula.
E a dança seguia. Pega massa, joga a massa, espalha a massa, alisa a massa.
Um dos olhos ornamentado. Festejado de pó branco, sequer se abria.
Também não se via uma das narinas. Uma só lhe bastava para continuar funcionando.
Mãos de cimento. Roupas de cal. Boné azul de campanha eleitoral.

E nada o preocupava mais do que terminar a tempo.

Não se lava, nem se coça. Tudo ali é bem normal.
Fala pelo canto da boca, pra não se engasgar com os miúdos.
Aperta o olho, até que os cílios se encontrem.
Pra enchergar por de trás da peneira.

No pescoço, um pingo de suor escorregava contente.
E surgia a dúvida. Sendo tudo tão branco aqui de fora.
Qual será a cor do seu sangue?

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23.4.09
Hoje estive em Taguatinga

embora não sejam de lá
gostei da gente que está.
levando suas enormes sacolas
falando alto pelas esquinas.
eu gosto.

é uma cidade sem árvores,
sem pássaros.
recheada de carros
buzinas, fumaças.

não entendi o trânsito,
tampouco os letreiros.
circundados de fios elétricos,
emaranhados dizeres.

era o alvoroço mais turvo,
comigo de nada combinava,
e ainda assim,
me senti em casa.
e andava sorrindo,
gostando de tudo.

no carro,
a pilha de panfletos crescia.
a cada semáforo,
caquis, morangos, panfletos.
panfletos, caquis e panfletos.

alguns cruzamentos eu não codifiquei,
não sabia se ia ou vinha.
se sairiam dali
ou se era a minha entrada.
então eu seguia em frente,

e como um turista padrão,
se eu não sabia, seguia o fluxo.

e findava quase que noutro país.

as ruas, sem retorno.

os retornos, sem placa.

motoristas cansados,
inventando retornos.
e eu reto,
rumo ao fim da rua.

rumo ao fim do mundo.

cidade cinza, laranja
de semáforos e pardais
telhas de zinco e calçadas
limpas a vassouradas
com água e sabão em pó
eu gosto.

andei pelas calçadas.
a cada loja uma nova altura.
conforme o gosto do pedreiro.

calçadas rasteiras, altas, largas e ausentes.
e o caminho se torna um novo esporte.
um safari nas calçadas.
todas dando o máximo de si.
para que no mínimo desconserto
você tropece.

e cheio de sacolas,
o barulho do samba.
apresenta a todos,
o espetáculo do minuto,
desmascarando qualquer entruso.

e escorados nas portas e janelas,
olham-se.
risos cinzas e laranjados,
sem recalque festejam.

Esse cara não é daqui..

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18.4.09



Se eu me encontro um pouco amuado
Calado, tranqüilo, sem papo. Sem caldo.
Acabo inventando um pedaço de vida
É querida essa vida que deixo acordar.

Se eu freio, ela anima.
Se eu, calado, faz rima.

Uma vida amiga.
Que tenta de um tudo
Só pra me viver feliz.


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14.4.09
Motivos


Sai verão, entra outono
E não troco de pele.

E as folhas não me caem,
As memórias não me saem
E tudo que estava, continua estando.

Tenho vários juízos sobre tudo
Mas nenhum deles se compara
Aos que eu tenho dos meus males.

Que cruel essa minha felicidade
Que nem calha nem levanta vôo
Apenas desliza como um pesar.

As minhas ações me dão sermões
Quando me resta delas só a culpa
Da hora mal gasta, da compra mal paga
Do amor comedido, exagerar no sal.

Quem dera se eu pudesse ser apenas um
Um simples, que caminharia pelos mesmos caminhos
E trabalharia com as mesmas maquinas
E comeria do mesmo pão pela manhã.

Que caminho é esse que de tão feliz é triste
Que história de vida será essa que eu encontrei.

Aos olhos dos outros somos sempre menos merecedores.
Do que acreditamos ser.

Portanto,
Importante mesmo é lembrar de que serei um eterno imbecil
De vida fácil, boca sem rédeas, um melão debaixo do braço,
E no outro, a faca.

Quem será que um dia se arriscará a descobrir
O quanto é falsa essa vida que acham que tenho.
Sem que me diga em seguida;
Ah..não exagere. Tem tanta gente passando fome por aí.

Por que, Deus meu?
Ainda me teimam em comparar moléstias com misérias
Tormentos, com aflições. Martírios com doenças.
Sofrimentos, com lamurios, com pragas, com agonias, com tristezas, com amarguras e calvários.
Misturando todos os desgostos do mundo como se um abonasse o outro.
Como se uma morte me fizesse ser feliz por estar vivo.

Por que?

Dieferson Cesar

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